Abatedouros do Brasil

Bem vindos de volta caros leitores!

  Hoje resolvi escrever sobre uma reportagem que passou no programa Fantástico     no canal Globo ontem a noite. O tema da reportagem foi sobre os abatedouros do Brasil. Eu não assisti porque sou muito sensível e não gosto de ver animais sendo maltratados, mas li a reportagem e achei o tema muito interessante para abrir nossos olhos e refletirmos, pois não é só porque não vemos que significa que não aconteça, e muitos deixam de querer se informar para não “pesar” na consciência.
“Eu não quero saber, se não é capaz que eu pare de comer carne”. Já ouvi muita gente falar isso, mas eu acho que gostaria se saber se estou fazendo parte de algo muito ruim, de algo cruel, algo que eu não concordo. Outra frase que eu ouço muuuuuito é “mas a crueldade na matança dos animais é só em abatedouros clandestinos..”. Será?

  Segundo o programa, a investigação constatou que 30% dos abatedouros operam sem fiscalização, ou seja, métodos errôneos são empregados, podendo causar sérios riscos à saúde da população.
Verificou-se a falta de vestimenta adequada pelos funcionários, como luvas máscaras, botas e roupa adequada, sendo visto até funcionários sem camisa trabalhando. Em muitos abatedouros, a carne era cortada no chão, com machados, entrando em contato com a falta de higiene, insetos, fezes e animais, como ratos. Outro grande problema é que geralmente a carne dos animais não passa por refrigeração, que é obrigatória para minimizar as chances de contaminação. Contataram também o uso indevido de armazenamento, como tambores plásticos sem tampa. Os restos de carne e tripas, são dados a outros animais como alimento, em criações de porcos. Se houver algum bovino doente, é muito provável que os porcos que se alimentam desses restos também fiquem doentes, e possam transmitir a doença para humanos se a carne não for devidamente preparada.
Segundo a reportagem, o abate cruel é comum nos matadouros pelo Brasil.
  Flagraram animais que são chutados e até mordidos no rabo! Matam os animais com espingarda também. Nas entrevistas realizadas, nenhum funcionário sabia distinguir se uma carne apresentava doença e irregularidades ou não. Muitos locais não apresentavam um veterinário, que é obrigatório para a operação da empresa, e quando o tinham, o serviço apresentava inúmeras infrações. Há diversas doenças que podem ser transmitidas pela ingestão de carne contaminada, como as conhecidas teníase e cisticercose; Listeriose, que causa febre, dores de cabeça e pode provocar abortos em grávidas; Toxoplasmose que provoca problemas no fígado, pulmão e coração; e até Tuberculose, que causa problemas nos pulmões, sendo 10% das tuberculoses humanas causadas por micro-bactéria Bovis, que é uma bactéria do boi.

  Vemos então aquilo que não queremos ver, que é a comida do brasileiro sem fiscalização, sem higiene e sem ética. Lembrando que não são apenas os abatedouros clandestinos que apresentam essas condições, mas também abatedouros legalizados. Pesquisei sobre como os abatedouros deveriam ser, como é o legalizado por lei. No matadouro, os animais após a chegada passam pelos currais, onde têm um período de descanso em repouso e jejum por 16 a 24h para se recuperarem do stress do transporte. Eles então são conduzidos e lavados por jatos de água clorada como se fossem chuveiros, que têm a função de eliminar  estercos e sujidades, a água de lavagem é encaminhada para uma ETE.
Acontece então o atordoamento, em que o objetivo é deixar os animais inconscientes. O equipamento utilizado geralmente é a marreta pneumática, com um pino retrátil, que é aplicada na parte superior da cabeça dos animais. Esse pino perfura o crânio do animal, destruindo parte do cérebro e o deixando inconsciente. Outro método é utilizar uma pistola sem dispositivos penetrantes, que faz o atordoamento por concussão cerebral.

Eu não sei vocês, mas para mim, apesar de ser dita uma técnica ética e que objetiva o mínimo sofrimento animal, é bem cruel. Os animais, segundo este manual de abate, acaba morrendo por falta de oxigenação do cérebro na hora da sangria, posterior ao atordoamento. Os animais possuem sistema nervoso e sentimentos, de stress, de medo, de dor. Eles se sentem assustados ao pressentirem que algo ruim está por vir. Ter uma parte do seu cérebro dilacerada, convenhamos que não é nada bacana. O som dos equipamentos, o ver de um animal caindo na frente de outro são estímulos muito ruins para o animal. Inclusive, é comum nesta etapa, os animais vomitarem, então é jogado um jato de água para a limpeza do vômito.

Os animais teoricamente inconscientes, vão para a sangria. São içados pela pata traseira são feitos cortes nos principais vasos sanguíneos com uma faca. Como eu havia dito, a morte ocorre nesta etapa por falta de oxigenação do cérebro.  Resumindo, o sangue pode ser coletado para indústria farmacêutica, alimentação de outros animais entre outros. Retira-se as patas dianteiras para o mocotó, retiram-se a cabeça, as vísceras o couro e cortam-se a carcaça. Tudo isso é feito com equipamentos apropriados, em local sempre higienizado com funcionários competentes e é sempre feita uma limpeza dos materiais retirados, inclusive se prendem as genitais para a não contaminação da carne por fezes.

  Infelizmente, como grande parte do Brasil, são poucas as empresas, comparando com todas as existentes, que realmente se preocupam em fazer o serviço honestamente. Muitos visam o lucro acima de qualquer outra coisa.  Falta de higiene e ética nos matadouros, uso indiscriminado de agrotóxicos nos alimentos, falta de condições mínimas de segurança, saúde e dignidade de muitos trabalhadores, vemos cada vez mais redes de junk e fast food com condições precárias, utilizando carnes que nem sempre sabemos a procedência, aliás, nunca sabemos a procedência, porque ninguém investiga. Não é um comercial bonito que vai nos dar a segurança se que a hortinha é bem tratada e os boizinhos são criados com amor e carinho. As coisas não funcionam assim, as propagandas são muito bem feitas e nos manipulam a cada vez mais continuar com o vício pelo consumo desenfreado.
Tá na hora de acordar! Imaginem comer um lanche de uma dessas fast food, que foi feito em um lugar sujo, manipulado de forma não higiênica pelo cozinheiro, e que para completar, os hamburgueres vieram de um lugar que utilizou a carne desses matadouros sem fiscalização. Olha o risco que corremos! Eu sei que é muito difícil não comer em fast food, porque nem é isso que eu faço, mas não deixar que isso seja um hábito e sim algo que se faça de vez em quando, pelo próprio bem da saúde.

  Queremos ver as coisas mudarem e melhorarem em nosso país, mas não esforçamos um dedo para isso acontecer. Menos ainda quando mexe com a nossa rotina. “Parar de comer carne? Como posso conseguir? Vou ficar doente! E o meu churrasquinho?” Acho que se você não concorda com algo, não deve fazer parte dele, deve procurar formas mais idôneas de não quiser mesmo parar de comer carne. Eu parei há 4 anos (vegetarianismo). E conheço muitas pessoas que estão procurando uma alimentação mais ética, diminuindo o consumo de carne, procurando comprar carne com boa procedência em que é verificado um tratamento mais ético dos animais. Pra mim, o mais importante é o respeito pelos animais, por estarem fazendo parte do seu prato. Do seu sustento.
Porque infelizmente, a esmagadora maioria não quer saber de se informar, pelo contrário, debocha das escolhas dos outros, nos ridiculariza, alegando que os aminais servem para nos alimentar apenas e muitos outros argumentos impertinentes que nem vale a pena comentar.

Este é meu ponto de vista, eu tento fazer o que está a meu alcance e admiro muito quem faça isso também.

Um boa tarde a todos!

Matéria Fantástico

kid and cow

One response to “Abatedouros do Brasil

  1. adorei a foto no final!!!!!!🙂

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